Futebol e Política
O que há em comum entre um futebol decadente e um Estado desgovernado e sem rumo?
Tudo, eu respondo. O que vem acontecendo com o renomado futebol carioca é fruto da incapacidade de seus dirigentes mas reflete também o declínio do Estado do Rio no Ranking nacional.
Não fosse a riqueza produzida pelo petróleo e onde estaríamos? A ausência de um projeto de desenvolvimento que prepare o Rio para um futuro sem o seu mais valioso recurso natural, preocupa os setores mais esclarecidos, enquanto isso a política do “um real” prevalece deixando um rastro de mesquinhez e mediocridade no ar. A atmosfera política no Estado do Rio anda rarefeita e pelo andar da carruagem não vai melhorar tão cedo.
Nesta relação política e futebol o que chama atenção é o destino do Botafogo, único dos quatro grandes a ser classificar para as semifinais da Taça Guanabara, o clube não atendeu as expectativas de sua imensa torcida e perdeu feio para o time do indefectível Caixa D’água. É estranha a sina do Alvinegro, justamente quando elege um administrador testado e aprovado como o Bebeto de Freitas que além disso é um apaixonado pelo clube, faz as suas piores performances e deixa a sua torcida envergonhada.
Esta derrota só corrobora a tese de que o resultado de agora é fruto de administrações incompetentes que durante anos dilapidaram um autêntico patrimônio, pois vivemos em um tempo em que marcas representam muito.
Desta vez o Glorioso perdeu mais do que uma partida, perdeu a oportunidade de conquistar um título que não vê há pelo menos dez anos.
Por mais que Bebeto de Freitas aplique seus conhecimentos de bom administrador , por melhores que sejam os propósitos de quem está à frente do Botafogo hoje, o que temos é uma total falta de habilidade de um time de limitados recursos e sem nenhum talento., digno de um clube pequeno.
Aliás os clubes que se classificaram neste campeonato, de pequenos não tiveram nada, deram um show de competência, vieram do interior e conquistaram na capital vitórias incontestáveis. O poderoso futebol carioca vive uma crise sem precedentes, uma crise que será superada se os dirigentes compreenderem a importância do momento e investirem de fato na infraestrutura de seus clubes.
Resumindo: o futebol carioca parece refletir o atraso político-administrativo que vive o Estado do Rio, governado há quase oito anos pelo clã Garotinho. Mas o Rio será capaz de superar este ciclo de incompetência e abandono, constituindo um movimento que o recupere econômica, política e culturalmente, é apenas uma questão de tempo. gggg
Escrito por Márcio Kerbel às 00h56
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